Agora os documentos do WikiLeaks revelam que em 2007 o Secretário do Partido Comunista teria admitido que boa parte dos indicadores econômicos do país não são confiáveis.
Li Keqiang é estrela em ascensão na China. Seu papel atual é o de supervisor das estatísticas econômicas da China. Segundo o The Wall Street Journal foi sucessivamente secretário do Partido Comunista na província de Lianoning, no Nordeste do país; vice-primeiro-ministro e agora é o favorito para ocupar o cargo de primeiro-ministro, substituindo Wen Jiabao.
Nos telegramas divulgados pela WikiLeaks, os seguintes dados são apresentados como confiáveis, em relação à província de Liaoning.
1) consumo de eletricidade;
2) volume de carga nas ferrovias, já que as tarifas são cobradas por unidade de peso;
3) volume de empréstimos concedidos.
A partir desses dados, presumiam-se todos os demais, o que gerava distorções consideráveis. Por exemplo, quase todas as províncias divulgam dados de PIB provincial superiores à média nacional.
Isso ocorre porque províncias com maiores índices de crescimento são mais aquinhoadas na divisão do bolo fiscal e dos investimentos públicos. No primeiro semestre de 2009, por exemplo, o PIB da China foi de 13.876 trilhões de yuans, segundo o Bureau Nacional de Estatística. Mas a soma do PIB divulgado por 31 províncias e prefeituras da China dava 15.376 trilhões – 10% a mais.
Mais do que isso, a China tem por hábito revisar os dados do PIB de um ano para ajustá-lo aos dados do ano anterior. No início de 2009, por exemplo, a China revisou seus dados do PIB de 2007 em 1,1 ponto percentual, para fazer esse ajuste.
Pesquisas do China Daily – jornal oficial, em inglês – concluiu que 91% dos entrevistados para uma pesquisa não acreditam nos dados oficiais. Mesmo com essa precariedade de números, previsões do Banco Mundial e da Goldman Sachs indicam que a economia chinesa poderá passar a norte-americana até 2025, mantidos os atuais níveis de crescimento.
Por esses cálculos, em 2006 a China teria passado a França, em 2006 o Reino Unido e em 2007 a Alemanha. |