Busca:
 
 
         
texto por: Paulo Caninéo - fotos por: Arquivo RA
publicada em: 01/02/2011
   
         
Glaucoma avança entre os mais jovens e profissionais do volante

  Considerada uma doença que só deveria aparecer a partir dos 40 anos, o glaucoma está crescendo entre os mais jovens. Um levantamento realizado pelo Instituto Penido Burnier, mostrou que a doença teve um crescimento de 12,76% entre pacientes com idade entre 29 e 37 anos. Uso indiscriminado do colírio corticóide para cansaço e dores na vista (fruto do uso excessivo da visão durante o trabalho, como no caso de motoristas ou profissionais que utilizam carros como instrumento de trabalho) ou hipertensão arterial são as principais causas.
         
 

Para quem não sabe, o glaucoma é uma alteração em que a pressão do líquido que preenche o globo ocular está anormalmente aumentada, além do que o olho pode tolerar. Quando essa pressão - chamada tensão intra-ocular - é maior do que o normal, aumenta consideravelmente o risco de que ocasione danos à visão.

O glaucoma é causado pelo acúmulo do líquido (chamado humor aquoso) que circula no interior do olho. Esse acúmulo se produz devido ao aumento da formação do líquido ou pela obstrução do conduto pelo qual normalmente esse líquido sai do olho. Desta forma, como continua sendo produzido, a pressão intra-ocular vai aumentando progressivamente, o que acarreta a lesão no olho, se não for diagnosticado e tratado a tempo, pois a pressão intra-ocular aumentada comprometerá os vasos sangüíneos que nutrem as sensíveis estruturas visuais do fundo do olho. E, devido à falta de irrigação sangüínea adequada, as células da retina irão morrendo, provocando uma perda progressiva da visão e estreitamento do campo visual. Se o processo não for controlado, pode levar à cegueira a médio prazo.

O glaucoma acontece inesperadamente, sem apresentar sintomas prévios e já atinge um milhão de brasileiros, sendo apontado com a principal causa da cegueira irreversível pela OMS (Organização Mundial da Saúde) explica que em 90% dos casos está associada ao aumento da pressão intraocular que provocar a morte das células da retina, escavação do nervo óptico e redução do campo visual.

     

E pior: considerada uma doença que só aparece a partir dos 40 anos, o glaucoma está crescendo entre os mais jovens. Em levantamento realizado pelo setor de oftalmologia do Instituto Penido Burnier, de 3.680 glaucomatosos atendidos pelo hospital nos últimos quatro anos, a doença teve um crescimento de 12,76% entre pacientes com idade entre 29 e 37 anos. É preocupante por se tratar de uma doença sem cura, que tem baixa adesão ao tratamento feito com colírio hipotensor. Só para se ter uma idéia, a estimativa é de que metade dos portadores só usa o primeiro frasco após o diagnóstico. Um estudo conduzido por Queiroz Neto com 2.700 pacientes mostra que 67% dos tratamentos de doenças oculares são comprometidas por erros na utilização dos colírios. Em glaucomatosos pode significar a perda da visão.

Fatores de risco

Entre os jovens diagnosticados, 3 contraíram a doença por usar colírio com corticóide durante meses - por conta própria. Estes pacientes chegam à consulta com os olhos irritados e reclamando de dor de cabeça no final do dia. Todos os demais tinham hipertensão arterial que é considerada como o segundo principal fator de risco para o glaucoma. Isso porque a pressão alta reduz o fluxo do sangue que circula pelo corpo e aprofunda o “stress oxidativo”, comprometendo o metabolismo das células da retina e do nervo óptico. Além disso, a pressão arterial e a intraocular seguem uma curva circadiana que é caracterizada por queda durante o sono. Quem tem glaucoma não pode ter o olho submetido nem a altos, nem a baixos níveis de pressão. É isso que explica porque só o tratamento isolado da pressão intraocular não beneficia a todos da mesma forma, explica. Para quem tem hipertensão arterial a recomendação é o acompanhamento simultâneo do cardiologista e do oftalmologista, visando garantir o controle do glaucoma. O médico ressalta que a prática de exercícios aeróbicos, evitar bebidas alcoólicas e manter uma alimentação saudável também contribuem com a melhora das duas doenças.

             
             
             
     
             
 
  --2010 - Revista AutoMOTIVO - Todos os direitos reservados  
Design by: FRC Design