Muita coisa tem sido feita com os ventos favoráveis que sopram desde o final do ano passado. Porém, mesmo com as possibilidades de negócio, as incertezas do segmento de som e acessórios em particular - e do setor automotivo, em geral - conversamos com empresas e empresários (fabricantes, em um primeiro momento) que podem servir de balizador dos movimentos de mercado e ajudam a “sentir” um pouco do que o momento pode propiciar, e até mesmo orientar alguns movimentos futuros.
Crescimento, mas nem tanto
Ao contrário dos mais otimistas, o “boom” de crescimento registrado nas vendas de carros novos - quase 27% só em dezembro e mais de 50% para os usados (levando-se em conta todo o ano passado) abriu possibilidades, mas não consolidou-se em crescimento equivalente, pelo menos para a grande maioria dos players do setor de som e acessórios. “Sem dúvida, as facilidades de financiamento, o sonho de compra de um automóvel não ficou tão mais distante. E é claro, com o automóvel dos sonhos na garagem, proteger e equipá-lo é certamente o próximo passo do consumidor”, diz Silvia Bitente, diretora de marketing da Sensocar Alarmes, que experimentou números expressivos com sua empresa, em função do vínculo imediato da venda de veículos novos com um acessório de segurança – item obrigatório, tão essencial quanto o seguro contra roubo e acidentes a um carro zero km.
Porém, o crescimento nas vendas de veículos gerou expectativa geral em todo mercado, o que acabou gerando certa frustração pelos números menos portentosos. “As vendas vêm crescendo, isso é claro, mas não acompanharam os números projetados, talvez pelo fato do compromisso com o financiamento do carro ter comprometido o crédito e impedido, por exemplo, a aquisição de acessórios”, diz ainda Ana Carolina Hardt, diretora da Mult Engates.
Além do fator crédito, outros fatores também podem ter contribuído para este crescimento menor. “Tem que ser levado em conta que o crescimento maior nas vendas deu-se em veículos de maior valor agregado, uma fatia que exige menor demanda por acessórios”, ressalta Azis Braojos, diretor da Montella, fabricante dos alto-falantes Foxer. Talvez o nicho de atuação de cada empresa tenha sido influenciado diferentemente, e isso explique – pelo menos em parte, alguns nú meros menores deste ou daquele produto, desta ou daquela empresa. “Mas que cresceu, isso é fato! Conheço distribuidores de acessórios que tiveram crescimento em vendas superior à venda de carros. Outros não conseguiram. Mas claro que isso se dá pelo desempenho de cada um”, diz Antônio Pereira Marquez, diretor Comercial da Sóparauto (que também possui a marca Alion).
Expectativas para o segundo semestre
É opinião mais ou menos generalizada entre os players de mercado que o reflexos do crescimento devem continuar por este ano, mesmo com um noticiário econômico que não reflita um cenário tão favorável. “Só em SP são cerca de mil novos veículos lacrados por dia! E não só as grandes cidades do Brasil são responsáveis pelo “boom” de vendas, hoje: fora dos grandes centros, as cidades do interior, são muito importantes para este crescimento” destaca Silvia Bitente. “Em nosso país existe uma tendência de crescimento linear para os próximos anos”, reforça Flávio Basso, da Gold Star Acessórios. “Um fator que impulsiona a venda de acessórios vem das vendas de carros populares. A facilidade do financiamento realiza o sonho de possuir um carro, e os acessórios contribuem para satisfazer esse desejo pelo carro único”, diz ainda Antônio Marquez.
Por tudo isso, o mercado sinaliza que 2008 é o momento. “Esta é a época para os fabricantes de som e acessórios abrirem o máximo possível as regiões de distribuição de seus produtos e, lógico, se não houver investimento em inovação, não existe Mercado”, completa Silvia Bitente. “Acreditamos que deva haver uma maior demanda, mas menor do que o esperado anteriormente pelo aumento das taxas de juros, o que compromete a comercialização de veiculo novos e também usados”, diz Azis Braojos. “As vendas de acessórios vão crescer - claro que não no ritmo esperado, e é necessário mais investimentos em produtos novos e diferenciados, pois só assim os fabricantes conseguirão manter um nível de vendas satisfatório”, completa Carolina Hardt.
Futuro: quais ações podem estimular o mercado
E foi justamente o investimento em desenvolvimento (como evidenciou a diretora da Mult Engates) o item mais apontado entre os players de mercado para garantir seu share e expandi-lo proporcionalmente ao crescimento de seus concorrentes de nicho. Mesmo assim, os fabricantes são cautelosos quando o assunto é falar sobre movimentos futuros. “Falar sobre o futuro é arriscado, pois tudo depende da política econômica do nosso país. Acho que, da parte de nós – fabricantes -, o incentivo fiscal é uma das maneiras de nos mantermos fortes e podermos investir em tecnologia”, diz Silvia Bitente, principalmente porque sua empresa (Sensocar) atua em um nicho de desenvolvimento e tecnologia estimulado pelo governo.
“É necessário o fortalecimento das marcas nacionais, com soluções na reforma tributária que tramita no Congresso Nacional, o que garantirá a competitividade da indústria nacional. Isso porque, com a implantação do IVA-Federal (que é a união dos atuais PIS, COFINS e salário-educação, algo num valor próximo de 10,43%) haverá a incidência de imposto sobre os importados, no mesmo valor que os produtos nacionais, já que hoje há desvantagem em se produzir no Brasil por estes impostos em cascata sobre toda a cadeia de produção, o que não acontece na China, por exemplo”, explica Azis Braojos. “Mas a perspectiva é sempre de crescimento, tanto que esperamos crescer 15% a mais em vendas nos 12 meses de 2008”, conclui Antonio Marquez. Tudo isso leva a uma avaliação que, se não é francamente otimista, ainda assim é claramente positiva. “O mercado de acessórios cresce no Brasil, mas ainda assim é muito pouco explorado. Nos EUA esse mercado é promissor há mais de 20 anos. A estatística é de crescimento levando sempre em conta a estabilidade econômica e os fatores sócio-econômicos. O Brasil é um país de oportunidades”, completa Flávio Basso. |